Uma hora ou outra...

Aprendemos que as joias mais caras não nascem em ostras, mas repousam no coração na forma dos mais nobres sentimentos. Descobrimos, todavia, que a fome por poder torna a nobreza um acessório fora de moda. Aprendemos, porém, que num mundo tomado pela falsidade, em que as aparências falam mais alto, vale a pena ter um amigo. Descobrimos que a maior dor não é aquela que sentimos, mas aquela que esperamos sentir; e que as maiores fortalezas são aquelas que já foram derrubadas. Aprendemos que o forte numa batalha não é quem vence, mas quem não se permite desistir. Descobrimos que para muitos vale tudo para ganhar uma guerra, inclusive abandonar a si mesmo. Aprendemos que o guerreiro sábio, contudo, nem sempre é o mais amado, mas é o que mais atrai admiração. Descobrimos que a vitória pode entorpecer o vencedor e só a derrota pode abrir-lhe os olhos. Aprendemos, todavia, que é preciso fechar os olhos para ver o que diz o coração.
Descobrimos que a pessoa que grita felicidade aos quatro cantos, na verdade, procurar convencer a si mesmo que é feliz. Aprendemos que o orgulho fere, mas pode ser a única saída. Descobrimos que um mar de dúvidas pode nos contaminar, mas a maior poluição será fabricada pelas nossas certezas. Aprendemos com o 'ontem' a lidar com o 'hoje', e com o 'hoje' a entender o 'amanhã'. O futuro, contudo, continua sendo a melhor desculpa. Aprendemos que o destino traz muitas respostas, mas que nem é ele é capaz de fazer todos os milagres. Descobrimos que amar é perigoso, mas é o risco que precisamos correr. Aprendemos que o amor, mesmo quando nos engana, traz serenidade e alivia. Descobrimos, no entanto, que nem todos os laços podem perdurar. E mesmo os mais firmes não resistem a um nó cego do tempo. Aprendemos que fugir é um remédio covarde, mas às vezes necessário. Descobrimos que somos o que aprendemos e que o nosso maior patrimônio é a nossa história, mesmo que inevitavelmente não nos orgulhemos de tudo.
Daniel Lélis
Texto publicado originalmente na JFASHION.