É, amigos, era para ser Araguaina, mas a segunda cidade de Tocantins a realizar uma Parada LGBT será Tocantinópolis, município localizado na região tocantinense conhecida como Bico do Papagaio. O evento será no dia 25 de julho e tem o apoio do GIAMA (de Palmas), de Prefeituras, como a de Tocantinópolis e Aguiarnópolis, e de empresas regionais.
Parabéns aos organizadores ("Classe GLBT de Tocantinópolis")!
Araguaina fica para trás, mas o Tocantins dá um passo grande para frente.
Daniel Lélis
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terça-feira, 6 de julho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Parada Gay de Palmas tem recorde de público, mas continua invisível aos olhos dos políticos tocantinenses
A homofobia já matou 23 homossexuais no Tocantins desde 2002. Os dados são do GIAMA (Associação Grupo Ipê-Amarelo pela Livre Orientação Sexual), única ONG LGBT de Tocantins, e organizadora da segunda maior Parada do Orgulho Gay da Região Norte do Brasil. Ontem, mais um grande passo para combater essas vergonhosa estatística foi dado. Num domingo de sol em Palmas, com a presença de cerca de 10 mil pessoas, foi realizada a VII Parada LGBT de Palmas.
Gente de todos os cantos esteve presente na manifestação. Só Araguaina, segunda maior cidade do Tocantins, teve mais de 200 representantes no evento. Recordista de público e de trios (este ano 4), a Parada do Orgulho LGBT de Palmas teve como lema: "Vote não homofobia, sim cidadania!". O objetivo da manifestação este ano, segundo Silvânio Mota, presidente do GIAMA, foi conscientizar as pessoas a não votarem em políticos homofóbicos. O Tocantins, importante dizer, é o único estado brasileiro que não tem representantes na Frente Parlamentar Mista pela Livre Expressão Sexual, o que demonstra o desinteresse dos políticos tocantinenses por este público.
Este ano, vale acrescentar, vários políticos tocantinenses, inclusive, os candidatos ao governo do estado, foram convidados a participar da Parada. Contudo, como nos 6 anos anteriores, nenhum deles apareceu. O medo de perder votos é, sem dúvida nenhuma, uma das grandes razões para essa lamentável realidade. Contudo, antes de justificar a omissão, esse temor só torna ainda mais indigno o desinteresse político pelos homossexuais do estado. A covardia dos políticos de Tocantins, todavia, é aplaudida por muitos, como o jornalista Cléber Toledo, fanático religioso que chegou a declarar no Twitter na véspera do evento, dentre outros absurdos, que "político cristão não deve participar da Parada". Formador de opinião e dono do site mais famoso do estado, Cléber parece ter se arrependido de suas declarações públicas contra os homossexuais, uma vez que apagou todas as mensagens homofóbicas que havia publicado. Não contava, entretanto, com o fato de eu ter printado algumas delas, como vocês podem comprovar abaixo. (CUIDADO PARA NÃO VOMITAR!!!)

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Embora não se admita oficialmente, o Brasil é um dos países mais homofóbicos do mundo. A cada dois dias, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), um homossexual é barbaramente assassinado. No Tocantins, a homofobia, embora mais velada, continua a fazer as suas vítimas. Há poucas semanas, um universitário homossexual de Araguaina fora brutalmente assassinado a capacetadas.
A verdade é que enquanto os políticos do estado, movidos pelo erro grosseiro de misturar religião e política num país laico, tem medo de perder votos, pais e mães de homossexuais tocantinenses tem medo de perder algo muito mais valioso: os seus filhos.
Daniel Lélis
sábado, 26 de junho de 2010
PARADA GAY DE PALMAS, SEGUNDA MAIOR DA REGIÃO NORTE, ACONTECE NESSE DOMINGO

Segunda maior parada da Região Norte do país, a VII Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) de Palmas acontece neste domingo, dia 27.
O tema do evento, organizado pelo Giama- Grupo Ipê-Amarelo de Luta pela Livre Orientação Sexual, é "Vote não homofobia, sim cidadania!"
Fica aqui o meu convite a todos aqueles que leem o blog para que possam marcar presença neste, que é o mais importante movimento em prol dos direitos humanos de homossexuais no Tocantins.
Daniel Lélis
quarta-feira, 29 de julho de 2009
'As paradas da discórdia' (por Daniel Lélis)

As Paradas LGBT nunca tiveram tanta força no Brasil como hoje. Em nenhum momento tivemos tantas manifestações dessa natureza em nosso país. Seu sentido maior é promover a diversidade e o respeito a milhões de brasileiros que veem negados pelo Estado diversos direitos, como o de casar, adotar filhos e doar sangue.
Com as paradas a militância LGBT se fortaleceu, conquistou-se visibilidade e auto-afirmação. Com elas vieram também uma enxurrada de críticas. Inclusive de homossexuais. Se nunca tivemos tantas paradas, nunca também tivemos tantas críticas a elas.
Alguns dizem que as paradas perderam a razão de serem, uma vez que nosso país já parece ter livrado da doença que é a homofobia. Outros afirmam que as paradas perderam o sentido político, uma vez que é festiva, e com festa não se faz política. E vão além, ao afirmarem que as paradas promovem a visão do LGBT estereotipado, materialista, e pervertido. Ou seja, pede-se respeito, mas não se dá.
Sem críticas não se progride. Sem críticas não há avanço. Todas as que citei são merecedoras de respeito e atenção, mas pecam por sua inteira limitação.
Quem afirma que não precisamos mais de paradas porque nossa sociedade á não é mais homofóbica esquece dos milhares de assassinatos cometidos contra LGBT em todo o Brasil. E não precisa de nenhuma pesquisa questionável para provar que estamos num país extremamente homofóbico, ora. Basta ser para ver. Basta tirar os óculos escuros das conveniências. Homossexuais são sim mortos barbaramente, e muitas vezes só por serem homossexuais. Homossexuais são sim humilhados, discriminados, em nosso país, e isso é um fato. Quem se nega a enxergar isso ou é cego ou é desonesto intelectualmente. Ou as duas coisas.
Os que afirmam que as paradas perderam o sentido político tem um conceito muito raso do que é política. Acham que não se pode fazer política com festa, dança, música e alegria. Acham que política é só aquela chatice de empunhar cartazes e gritar palavras de ordem. É um engano. Politizar com dança, música e alegria é uma resposta dos novos tempos a caretice que era exalada (e ainda o é) pelos movimentos sociais.
Aos que afirmam que as paradas promovem uma visão estereotipada do LGBT, parecem ignorar que é lá que a diversidade, nua e crua, se mostra, se impõe. Sim, aquelas travestis com peitos de fora, de mini-saia, merecem sim respeito. É a liberdade de se expressar, de exigir respeito ao que somos/ao que queremos ser. Por que puni-la com desprezo? Por que censurá-la? Não é a manifestação da diversidade? Não há razão de se sentir ofendido. Quem confunde a arte de ser com promiscuidade ou coisa do gênero colabora com a visão mesquinha e machista de que se fosse mulher, em vez de vilipêndio, surgiriam elogios, invejosos ou desejosos.
Somos materialistas? Sim, somos. Mas não somos só isso. E não somos materialistas por sermos homossexuais. Isso é teoria conspiratória. Lá na parada tem milhares que odeiam o consumo, e se não aparecem, a razão é só uma: eles não chamam tanta atenção. E nem por isso merecem menos ou mais respeito.
Somos milhões de brasileiros. Somos brancos, amarelos, e negros. Somos ricos e pobres. Somos fúteis, tristes e alegres. Somos sérios e pervertidos. Somos bonitos e feios. Magros e gordos. Somos baixinhos e altos. Somos de todas as escolaridades, de todos os credos. Somos o que somos, na parada ou fora dela. Fora dela, pouca ou nenhuma liberdade. Dentro dela, a liberdade de ser, de sorrir, de se expressar. Sem medo de ser expulso, xingado ou humilhado. E enquanto precisarmos delas, não há crítica no mundo que seja capaz de tirar-lhes o mérito.
terça-feira, 25 de março de 2008
'O discurso injusto de Chateumbriand' (por Daniel Lélis)
É comum aparecer nos dias de hoje supostas personalidades gays falando mal das Paradas do Orgulho Gay. Em entrevista a revista Veja, Bruno Chateaubriand deu mais uma amostra do mal gosto destas "grandes celebridades" no que tange este assunto.Perguntado por Veja sobre sua opinião com relação às Paradas, Chateaubriand afirmou que existem dois problemas : "o primeiro deles é que as manifestações fazem pensar que todo gay é exibicionista e vive em clima de boate. O segundo é que, em matéria de defesa dos direitos dos gays, essas passeatas não funcionam". Este tipo de raciocínio padece por sua limitação. Não há de se questionar o fato de que Bruno tenha direito de ter esta opinião e até de propagá-la, infelizmente. Inquestionável também é o nosso direito de combatê-la.Em primeiro lugar as Paradas do Orgulho gay são as maiores manifestações das últimas décadas por direitos no Brasil. Não se pode reduzi-las à apenas passeatas exibicionistas, pois isso denota uma análise mesquinha e injusta. O que se vê nas paradas são as mais varidas manifestações da sexualidade humana. Cada um do seu jeito. Nenhum comportamento lá expresso corresponde a totalidade do comportamento dos gays. Daí quem pensa que parada é para se exibir e mostrar comportamentos genéricos precisa urgentemente rever seus conceitos. Já pensou se todo mundo achasse que gay é festeiro como Chateaubriand? Para quem não sabe, este é notório no Rio de Janeiro pelas festas que dá . Ou melhor: já pensou se os "outros" achassem que todo gay é consumista, ligado a estética e afeminado como Bruno? Do mesmo jeito é com as Paradas. Lá cada um é cada um. O que os une é a busca por visibilidade, cidadania e afirmação. E para alcancarem isso existem as mais variadas formas. Todas respeitáveis.
O segundo problema apontado por Bruno é mais questionável ainda. Quando ele afirma que as Paradas não ajudam em nada em termos de direitos gays, mais uma vez o mesmo se equivoca e se mostra insensível às batalhas travadas pela militância para montar estes eventos. Em termos de Direitos as paradas mostram que homossexual tem voz e não se cale diante das inustiças. Que vai atrás dos seus direitos. Mostra coragem de se asssumir e de se orgulhar daquilo que é. Qual homofóbico não treme ao ver na Avenida Paulista mais de 3 milhões de brasileiros dizendo sim à cidadania gay?Aliás, tem muitas coisas no país que não ajudam em nada nos direitos dos gays.Um exemplo?Montar no réveillon uma festa com 300 convidados, cada um com uma garrafa de champanhe Dom Pérignon na mão. E disso o nosso "anfitrião" mal agradecido conhece bem.
O segundo problema apontado por Bruno é mais questionável ainda. Quando ele afirma que as Paradas não ajudam em nada em termos de direitos gays, mais uma vez o mesmo se equivoca e se mostra insensível às batalhas travadas pela militância para montar estes eventos. Em termos de Direitos as paradas mostram que homossexual tem voz e não se cale diante das inustiças. Que vai atrás dos seus direitos. Mostra coragem de se asssumir e de se orgulhar daquilo que é. Qual homofóbico não treme ao ver na Avenida Paulista mais de 3 milhões de brasileiros dizendo sim à cidadania gay?Aliás, tem muitas coisas no país que não ajudam em nada nos direitos dos gays.Um exemplo?Montar no réveillon uma festa com 300 convidados, cada um com uma garrafa de champanhe Dom Pérignon na mão. E disso o nosso "anfitrião" mal agradecido conhece bem.
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