segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

'O carnaval de todas as teorias', por Daniel Lélis


O carnaval é a festa popular mais teorizada do mundo. Filósofos, antropólogos, sociólogos e até matemáticos (acreditem!) há muito tempo procuram entendê-lo. Livros e mais livros se lançam na missão de traçar o que seria um perfil científico deste que é o maior e mais festejado evento brasileiro. Pois bem. Este texto, esclareço desde já, não pretende o objetivo almejado pelos teóricos. E a razão é simples: o carnaval não deve ser levado tão a sério; explicar o aquecimento global analisando as vestimentas da ala das baianas, por exemplo, é uma tolice. Sendo assim, proponho aqui uma análise bem menos pretensiosa, disposta tão somente a valorizar sem exagerar e a criticar sem menosprezar a mais importante festividade brasileira.
O carnaval é democrático, profano, simbólico, alegre e cultural. É a oportunidade em que todos se unem na buscam da diversão e do prazer; é a hora de pisar no falso moralismo e ver arte em belos seios a mostra; é o momento de expressar a criatividade, tornando qualquer bobagem numa grande e admirada bobagem; é o encontro da felicidade com o cansaço merecido e desejado; é a afirmação de uma cultura que resiste e se impõe; no carnaval é como se por alguns dias, esquecêssemos das roubalheiras dos políticos, da desigualdade social, da violência...; é como se vivêssemos no melhor dos países; no mais feliz de todos. Temos aqui o delírio mais intensamente comemorado do planeta. Que bom que, mesmo iludidos, temos a chance de sermos felizes de vez em quando. Ponto para o carnaval.
Bom. Mas o carnaval também parece ser para muitos um convite irresistível para a prática de atos irresponsáveis; é excesso admitido e louvado como um deus; é a permissividade atraente e provocante; é a contemplação do conformismo que nos nega a oportunidade de ver além das fantasias, dos blocos, dos carros alegóricos. Em outras palavras, é como se fôssemos merecedores da felicidade apenas nos festivos dias de fevereiro. No resto do ano, só nos resta à realidade; e essa, nem preciso dizer, não é lá tão encantadora. Por fim, o carnaval, infelizmente, é uma propaganda enganosa, uma vez que passamos para o mundo a ideia de que vivemos no país mais liberal do mundo. Que aqui o respeito pelas liberdades grassa sem qualquer obstáculo. Bem. Um país em que as pessoas têm medo de sair de casa ante a possibilidade de serem assaltadas, agredidas e até mortas por qualquer bobagem, não é obviamente a capital da liberdade. Um país que vê sem susto algum seus representantes enchendo de dinheiro público meias e cuecas, mas se sente horrorizado quando se depara com a possibilidade de ver a demonstração de amor entre duas pessoas do mesmo sexo, não é rigorosamente um país livre. É hipócrita.
Os méritos do carnaval não afastam as suas facetas claramente desastrosas. Eles devem, antes de tudo, ser mantidos e fortalecidos de modo a possibilitar a superação, ou ao menos a redução, das consequências negativas aqui retratadas. Mitificar o carnaval, embrulhando-o de uma seriedade inalcançável e sempre teórica, a fim de compreender tudo e todos, não ajuda em nada na consecução desse propósito. Melhor mesmo é valer-se do espírito crítico, prático e renovador que habita em cada um de nós. Este sim nos conduz ao amadurecimento que indiscutivelmente falta para lidar com a nossa maior festividade.

domingo, 10 de janeiro de 2010

'Os direitos humanos como pretexto' (por Daniel Lélis)


A quem interessa a terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH -3), aprovado por Lula (que confessou não tê-lo lido antes de assinar) através do Decreto 7.032, de 21 de dezembro de 2009? Aos esquerdoides, é claro. Quem são eles? Esquerdoide é todo aquele ser que acredita piamente que o comunismo não acabou, mesmo que a história teime em contrariá-los; que condena o capitalismo, mas adora Coca-Cola; que odeia enfurecidamente o neoliberalismo, mesmo sabendo que ele é o único sistema político-econômico que deu certo; abomina o consumismo, mas não abre mão de encher as sacolinhas quando vai ao shopping; que demoniza os EUA, mas não dispensa um filme hollywoodiano; esquerdoides são aqueles que acham que Stalin, Lênin e Mao, sanguinários ditadores que assombram a humanidade, foram apenas homens apaixonados pelos ideais de igualdade e justiça social. O PT (Partido dos Trabalhadores) é um partido que compreende uma grande leva de esquerdoides. O Governo atual, por consequência, está repleto deles. Mas voltemos ao PNDH-3, que é o tema deste artigo. Para quem não sabe o que é, trata-se da última grande estratégia governista para tentar impor a ideologia esquerdoide a todos os brasileiros. É mais uma tentativa forçada de fazer valer a todos a cartilha do PT.
Os Direitos Humanos, é bom que se esclareça, são na verdade um pretexto; uma embalagem bonita que esconde os verdadeiros propósitos do programa. Olhando, sem zelo e cuidado, o mesmo poderia parecer um avanço sem precedentes. Engano feio.
Dentre as propostas absurdas do Programa, que prevê no total 521 medidas, estão: a decretação do fim da propriedade privada; a legitimação da atuação de grupos terroristas, como o MST; a desvalorização do Judiciário e o menosprezo pela Lei, em benefício de uma suposta promoção da reforma agrária; a usurpação de funções essenciais do Poder Legislativo; a satanização do agronegócio; a subordinação da pesquisa científica e tecnológica a peneira ideológica; e as mais graves: a revisão da Lei de Anistia, de modo a patrocinar o revanchismo dos militantes de esquerda que lutaram contra o regime militar; e o controle, fiscalização e punição dos veículos de comunicação brasileiros que violarem o que for definido pelos esquerdoides como “direitos humanos”.
Pois bem. Trata-se o PNDH-3, portanto, de um ataque covarde e ambicioso ao Estado Democrático de Direito. É um conjunto de proposições, que em sua grande maioria, visam estabelecer e institucionalizar, de forma autoritária e desonesta, a visão de mundo que tem o PT e afins. Quem se nega a reconhecer, que visite o programa de governo do partido na internet. Está lá para quem quiser ver.
Enfim, caro leitor, o direito humano a informação livre e imparcial; o direito humano à propriedade; o direito humano de se posicionar conforme a ideologia que melhor lhe aprouver; o direito humano à democracia, com a manutenção enérgica e contínua de suas Instituições; todos estes e tantos outros, conquistados a duras penas por nós, correm sério risco. E tudo em nome do quê? Ora, justamente e ironicamente, dos DIREITOS HUMANOS. Essa, nem Mao Tsé-Tung, que dizia que “o poder político nasce do cano da espingarda”, seria capaz de explicar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

'201o razões' (por Daniel Lélis)


O último ano da primeira década desse milênio já chegou. E agora? A pergunta que todos se fazem é: como será 2010? Ora, se não é possível dizer com certeza o que vai acontecer nem daqui um minuto, imagina daqui um ano. Contudo, por ser um otimista assumido, desenho aqui as minhas previsões; ou melhor, os meus desejos para este ano que se inicia.
Primeiramente, é bom lembrar que o futuro somos nós quem construímos. O destino é consequência não do acaso, mas sim de nossas escolhas e possibilidades. O destino é, antes de tudo, o amanhã, o daqui a pouco e o agora que delineamos ontem ou há um minuto atrás. Dessa forma, é delírio conformista ou conveniência forçada querer justificar os rumos que tomamos e as histórias que escrevemos por meio de teorias que negam que somos protagonistas de nossos próprios méritos e fracassos.
Pois bem. 2010 será melhor se nós formos melhores. Não depende de capricórnio estar em júpiter, nem muito menos dos dizeres desta ou daquela profecia religiosa. O ano novo será o que quisermos que seja e o que desejaram que fosse. Será consequência do que nós fizermos e do que nossos pais e avós fizeram. No mundo real é assim, (in) felizmente: abstrações e predestinações são fontes apenas de alívio e conformismo. O que vale, definitivamente, são as nossas atitudes e escolhas. O resto é empulhação. O ideal, portanto, é saber que, por sermos agentes do nosso próprio destino e arquitetos do nosso futuro, a nós caberá, felizmente, sempre a chance de mudá-los para melhor.
Assim sendo, desejo que o ano que se inicia acomode todas as nossas boas promessas; que possamos ser mais justos sem o risco de passarmos por justiceiros; que não nos deixemos guiar exaustivamente e exclusivamente pela razão na busca por soluções sadias; que o respeito prevaleça sobre a tentadora mania que temos de querer julgar o próximo; que valores sagrados a quais temos esquecido sejam novamente merecedores de nosso prestígio; que nossos líderes enfim possam ter ao menos mais pudor de sua canalhice e passem a valorizar mais o voto de confiança que lhe és dado (É ano de eleições!); que o sentimento de patriotismo que transborda em nosso peito em ano de copa possa nos orientar, mas não nos entorpecer, frente aos imensos desafios que temos enquanto nação promissora; que com dignidade e decência possamos superar a ambição desmedida; que nos desfaçamos da vaidade cega e egoísta, tão popular nos dias de hoje; que a amizade sincera e o companheirismo desinteressado nos façam vencer os desarranjos que encontrarmos pelo caminho; que o amor incondicional, aquele livre de falsas regras, tão afeito ao perdão e grandioso por ser simples, nos faça viver o ano mais feliz de todos; que, por fim, tenhamos 2010 razões para comemorar no dia 31 de dezembro.
E é como se diz por aí: não existe ano ruim. Existe o ano que você faz.
Que façamos o melhor de todos!

Você também encontra este texto na Jfashion, a revista de sociedade mais badalada de Tocantins.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

'Amor e amar' (por Daniel Lélis)






Tempos cruéis estes em que se relega o amor aos porões imundos das irrelevâncias. Que se retira do ato de amar todo sentido que lhe faz belo e indispensável. Pois bem, eis-me aqui, na contramão disso, a lembrar-vos da importância das duas palavras escolhidas para intitular este texto. Para tanto, resolvi defini-las. Vejamos:



O que é o amor?

O amor é...

A língua que não precisa de tradução.
A força de quem não desiste de lutar, mesmo quando tudo parece estar perdido.
A coragem de quem arrisca por acreditar em dias melhores.
O encontro das noites frias com a saudade que machuca.
A palavra amiga que consola e liberta.
O aperto de mãos firme que traz segurança nos momentos de incerteza.
A companhia desejada para as horas indesejadas.
O abraço caloroso nos dias nublados.
A solidariedade de quem se importa em ajudar quem precisa.
O sorriso ingênuo que enobrece, fascina e enche de esperança.
A lealdade valente daqueles que ousam em confiar.
São os olhos que brilham, o coração que acelera e o fôlego que nos mantém de pé.
Por fim, o amor é a razão inquestionável do nosso existir.



O que é amar?

Amar é...


Fazer e querer o bem aquele que você nem conhece.
Ser melhor que você mesmo.
Poder compreender e respeitar as diferenças.
Vencer o próprio orgulho sem perder a dignidade.
Encarar os desafios sabendo até onde podemos chegar.
Crer nos sonhos, mas ter em mente que para realizá-los, é preciso acordar.
Poder fazer o impossível acontecer.
Saber perdoar o “outro” tendo em vista que no futuro o “outro” pode ser você.
Driblar os medos e suportar as dores do jogo da vida.
Por fim, amar é viver a beleza do hoje, reconhecer a fraqueza de ontem e valorizar o que poderemos ser amanhã.



Às definições aqui apresentadas, somar-se-iam tantas outras que levaria a eternidade para descrevê-las. E não poderia ser diferente: ao que acredita no amor, sempre serão infinitas as formas de amar.


Você também encontra este texto na Jfashion, a revista de sociedade mais badalada de Tocantins.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

'Legislando em causa própria' (por Daniel Lélis)




A argumentação homofóbica (de quem tem preconceito contra homossexuais) nunca foi muito criativa, muito embora seja impregnada de ousadia e desonestidade intelectual. Certa vez fizemos um curso de capacitação para policiais militares tocantinenses, cujo tema era: Direitos Humanos e Homofobia. O evento histórico para a militância LGBT (sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) do estado trouxe diversas palestras. Uma delas, com o advogado do grupo GIAMA - Grupo Ipê-Amarelo de Luta pela Livre Orientação Sexual, pioneiro no estado na luta pelos direitos humanos homossexuais. No final do evento foi dado espaço para perguntas e observações. Uma das perguntas foi justamente feita ao advogado. Inquiriu um dos policiais presentes: - O senhor por um acaso está legislando em causa própria? Pasmem, o policial, na falta de qualquer argumentação razoável, preferiu "atacar" pessoalmente o advogado, "acusando-o" deste "pecado" que é a homossexualidade. Preferiu expor a ideia de que só homossexuais defendem homossexuais. Tolice pura. O advogado respondeu a altura, dizendo que sua vida pessoal era o que menos importava, já que ele estava ali para formar mentes (ou abri-las, como preferirem) no que diz respeito a um tratamento digno a homossexuais, não para falar de suas predileções particulares, e que aquilo é dever de todos. Certíssimo. O argumento do policial é usado habitualmente por homofóbicos (quem o diga Silas Malafaia e Magno Malta!). Já vi e ouvi milhares de vezes. Mas daí eu pergunto: -e se for? E se tivermos mesmo legislando em causa própria? Não é um direito que nos assiste? Não é a forma que temos para manifestar nossas aspirações enquanto grupo social rotineiramente relegado a marginalidade? Policias legislam em causa própria quando defendem salários maiores. Pastores legislam em causa própria quando usam o microfone do Congresso Nacional para acusar homossexuais de pedófilos. E aí? Somos tão piores que não nos é dado este mínimo direito de ir atrás de novas conquistas? Se nao podemos casar, adotar e nem sequer doar sangue, cabe a quem preferencialmente (e não exclusivamente, esclareça-se) exigir que isso mude? A nós, ora, os mais interessados. E fazemos isso como? Legislando em nossa causa própria!

***

Falando nisso, está no Senado Federal projeto de lei que pretende tornar crime no Brasil a homofobia, assim como já acontece com o racismo. Trata-se do PLC 122/2006, que têm como maiores objetivos o reconhecimento da liberdade, a defesa intransigente dos direitos humanos e o empenho na eliminação de todas as formas de preconceito. Os fundamentalistas religiosos, na maioria protestantes, têm anunciado o apocalipse caso o projeto seja aprovado. Ou seja, os bastiões da ética e da moralidade cristã são contrários a um projeto, que como afirmou brilhantemente André Petry, em um de seus artigos em Veja, “pretende dar aos gays (...) aquilo a que todo ser humano tem direito: respeito à sua integridade física e moral.” Como entender isso?!

Texto meu, reformulado, atualizado e publicado no Jornal Atualidade.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

DIAS DE TERROR NA MAIOR INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DA REGIÃO NORTE DO TOCANTINS


O ITPAC/FAHESA (Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos - Faculdade de Ciências Humanas, Econômicas e da Saúde de Araguaina), maior instituição de ensino superior do norte do estado de Tocantins, vive dias de terror. Os estudantes estão amedrontados com a onda de crimes que vem sendo cometidos dentro da Instituição.
Hoje mais um episódio dessa triste realidade pode ser constatado. E eu, acadêmico do curso de Direito (6° período) fui a vítima da vez. Hoje tínhamos prova no primeiro horário. A prova seria na nossa sala (Bloco G). Contudo, em razão da super lotação, fomos obrigados a fazer a avaliação no Bloco D.Para lá fomos todos. Até aí tudo bem. Terminada a prova, voltamos todos para a nossa sala. O professor do segundo horário já se encontrava por lá. Foi quando percebi que a minha mochila estava diferente. Faltava algo. Quando abri, a ausência do notebook me assustou. Tinham o levado. Enquanto fazíamos a prova no outro pavilhão, um criminoso furtara aquele que era o meu maior instrumento de trabalho e estudo.
Falei com colegas. Indaguei os seguranças particulares. Ninguém viu nada.
Fui à coordenação. A resposta foi: "orientamos os alunos no sentido de não deixarem suas coisas dentro da sala quando lá não estiverem.". É a confissão da ineficiência. É o reconhecimento da falha. A maior instituição de ensino superior de Araguaina reconhece que não oferece a seus alunos a segurança necessária para que estes fiquem tranquilos quanto aos bens deixados em suas mediações.
Outros casos de furtos aconteceram nos últimos tempos. Há relatos de outros notebooks furtados, livros, cadernos e outros. Esse é só mais um caso entre tantos outros que tem aterrorizado os universitários do ITPAC. O estranho, e isso não se explica, é o fato de a faculdade não fazer absolutamente nada para reforçar a sua segurança. Câmeras de vigilância? Só aquelas restritas à secretaria, tesouraria, biblioteca e reprografia. As outras áreas ficam relegadas a própria sorte. Seguranças? Ninguém ver um sequer longe da parte administrativa. É mais fácil o mundo ter acabado ontem e nos estarmos vivendo um sonho, que encontrar um único segurança fazendo a vigília do bloco G.
Mais estranho ainda é a mesma se eximir da obrigação que tem com relação aos bens deixados sob a sua guarda. Como assim? De quem é a responsabilidade? Do Dalai Lama? Do Papa? Ah, tenha a santa paciência.
Fica feio para uma instituição que quer crescer protagonizar fato tão vergonhoso.
A mim, pela perda, restam lágrimas. Ao ITPAC, pela indiferença como trata a segurança de seus acadêmicos, resta a negativa de culpa. É fácil dizer que a culpa é do outro.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

'Meios e fins' (por Daniel Lélis)


Difícil encontrar alguém que não nutra o desejo de aparecer um pouquinho, de se destacar naquilo que faz; de fazer a diferença. Todo mundo sonha ou já sonhou com alguns minutos de fama. Mas quais são os limites para alcançar este objetivo? Vale tudo? Até onde podemos chegar a fim de tornar real o nosso desejo de brilhar? Teçamos algumas considerações.
Tudo tem limite. Nem tudo podemos, nem tudo devemos. Extrapolar as regras, em ultima análise, é colocar em risco todo o jogo em busca dos ideais acima mencionados. Com meios sujos temos fins doentes. É claro que é difícil fechar os olhos para grandes oportunidades mesmo quando estas tenham nobreza questionável. Contudo, mais deve valer o êxito conquistado com esforço e grandeza de espírito que aquele contaminado pelas impurezas de uma realidade muitas vezes injusta e desvalorada. Infelizmente, como muitas vezes velam-se as formas indignas de se alcançar prestígio, estas acabam por parecerem válidas. Errado. A ganância e a ambição não podem em nenhum momento justificar o atropelo ético.
Que seja feita a justiça, portanto, aos que batalham com armas nobres. E aos que, mesmo que fraquejando, insistem corajosamente em fazer do jeito certo. Estes sim são merecedores de admiração, respeito e imitação. É claro que a acepção de “certo” e “errado”, oriunda de uma convenção, é cultural e histórica. Entretanto, é inegável a existência de valores sociais que por serem indispensáveis à nossa sobrevivência, perpassam culturas e gerações. Ser solidário, por exemplo. Não é de hoje que a nossa sociedade vê como obrigação moral ser solidário com o próximo. Sendo assim, todos os aplausos e elogios a quem chegou lá por mérito, esforço e dedicação e sem desprezar os valores socialmente construídos. A quem nunca soterrou os próprios princípios em busca de espaço e reconhecimento.
Afirmo isso porque a tendência, a que percebo, infelizmente é outra. Valorizam-se os meios condenáveis e tranformam os adeptos destes em modelos de conduta. Em vez de reprovação, apreciação. Em vez de punição, mesmo que moral, leniência e conformidade. Lamentável.
Que nos firmemos na contramão dessa dolorosa realidade.

Texto publicado originalmente na Revista Jfashion.