quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Medo. Modo de usar. (por Daniel Lélis)


      
     Quem nunca sentiu medo?! Assim como a alegria, a tristeza e a ansiedade, o medo é, sem a menor sombra de dúvidas, um dos sentimentos mais constantes na vida das pessoas. Do mais novo ao mais velho, do mais ingênuo ao mais experiente, do mais rico ao mais humilde, o certo é que sentir medo é inevitável. Mas se há certeza do quão fatal é a vivência do temor, não se pode dizer o mesmo da busca por enfrentá-lo. Não são poucos os que, diante do medo, fogem de si, apavoram-se; os que, na ausência de um remédio para curar-lhes os sobressaltos, se entregam, desistem de lutar. A eles, dedico esse texto.
     Quando crianças, é comum termos medo do escuro. Nossa imaginação fértil glorifica a existência de monstros incríveis e fabulosas assombrações. Chegamos a jurar de pé juntos para os nossos pais que vimos o bicho papão. Com a chegada da adolescência, nossos temores mudam de direção. Novas emoções tanto seduzem quanto atemorizam. Nossos medos, contudo, são menores que o nosso desejo de experimentar o desconhecido, por isso desbravamos, nem sempre com a precaução e moderação necessárias, novos caminhos. Passada essa fase, é hora de amadurecer. O medo, por mais que alguns finjam o contrário, continua implacável a nos acompanhar. Como lidar com ele? Como fazer dele, ao invés de um inimigo, um aliado? Finalmente, como evitar andar de mãos dadas com o temor? Não existem para estes questionamentos, logicamente, respostas prontas. Desenhemos, contudo, algumas sugestões valiosas.
     Primeiro, uma certeza: ninguém vence o medo fugindo dele, fazendo de conta que ele não existe. Superar um temor envolve enfrentá-lo com coragem, firmeza e dedicação. Portanto, antes de qualquer coisa, é importante ter forças para reconhecer os seus temores. Ignorá-los é, em última análise, fortalecê-los. Sábio, portanto, é aquele que identifica o que teme, para só então dominá-lo. Conter o medo não significa, porém, subjugá-lo como desnecessário. Há medos que nos fazem refletir positivamente, podendo, por isso, nos ser úteis. O medo proveitoso, muito embora seja a exceção de uma regra volumosa, tem a solidez da prudência e o vigor da cautela; é ele que nos injeta bom senso para não permitir que nos aventuremos em um terreno de escolhas absolutamente equivocadas e das quais nos arrependeremos para o resto da vida.
     Todavia, a despeito dessa hipótese benéfica, a verdade é que o medo, na maioria das vezes, sufoca possibilidades, destrói planejamentos e derruba expectativas. O medo de errar, de arriscar uma alternativa, de traçar uma nova rota, nos condena a saborear o amargo sabor do conformismo. Quem não tenta, se contenta. Driblar o medo é não se deixar sufocar por ele; é não permitir que ele dite rumos, escreva o nosso destino. Triunfar sobre o medo é impedir que ele nos proíba de buscar o que julgamos, conscientemente, ser o melhor para nós.  Vencer o medo é, finalmente, saber usá-lo a nosso favor.

Daniel Lélis

Artigo publicado originalmente na JFASHION, a revista de sociedade mais badalada do Tocantins.            
            

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Divertido: aplicativo para postar mensagens de cabeça para baixo no Twitter



FlipMyTweet é um aplicativo divertido e criativo que, simplesmente, inverte aposição do post e o deixa de cabeça para baixo.

¿ɯɐɹǝpuǝʇuǝ




domingo, 13 de fevereiro de 2011

Você viu? Confira a declaração de amor gay de Thales para Julinho na novela 'Ti Ti Ti'




Não foi só Jaqueline que pôde comemorar no sábado 12. O público LGBT também. Durante a festa de aniversário surpresa para a personagem de Cláudia Raia em “Ti-Ti-Ti”, Thales (Armando Babaioff), o marido da perua, estava visivelmente incomodado com os olhares de Julinho (André Arteche) para o Dr. Eduardo (Josafá Filho).
Após o médico sair dar festa oferecendo uma carona à periguete Thaísa (Fernanda Souza), Thales oferece levar Julinho pra casa e durante a conversa se declara e revela o que todos queríamos ouvir: “Eu estou apaixonado por você”.
Agora é torcer para que o romance finalmente engate. E sem essa de que por não ter rolado beijo, não valeu a cena! Sabe o que são milhões de pessoas vendo um homem nada efeminado dizer para outro que o ama? O quanto isso é importante para nosso reconhecimento?
Matéria do site Parou Tudo. Confira a íntegra da matéria, aqui.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

SE EXPLICANDO: pela primeira vez na história, TV Globo explica porque censura beijos gays


A diretoria da Globo decidiu abrir o jogo e pela primeira vez explicou a censura da emissora às inúmeras tentativas de exibir o beijo gay.
Os esclarecimentos não foram à toa; são uma resposta à carta de Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), que no final de 2010 questionou o corte do beijo gay na minissérie Os Clandestinos (ver o vídeo do beijo cortado, aqui)

Em outro trecho, Erlanger cita a classificação indicativa determinada pelo Ministério da Justiça.“A teledramaturgia, diferentemente das questões éticas e sociais, não é o ambiente adequado para levantar bandeiras de comportamento moral no campo da sexualidade, baseada na individualidade”, afirma Luis Erlanger, diretor artístico da emissora na resposta assinada em 3 de fevereiro.

“É algo, inclusive, que substitui o poder parental, uma vez que não há a possibilidade, como no cinema, por exemplo, de os pais autorizarem a entrada de seus filhos em sessões de filmes classificados para crianças ou adolescentes mais velhos.”
O portal Terra conversou com Toni Reis, que considerou a resposta da emissora “de bom tom” e uma porta para abrir a discussão pela inclusão do beijo gay na emissora. Sobre a classificação indicativa do Ministério da Justiça, ele discorda.
“Um beijo é uma demonstração de afeto. As novelas retratam a sociedade e as pessoas têm que se acostumar com esta questão da afetividade homossexual.”
O Ministério da Justiça, em agosto de 2010 através do então secretário nacional Pedro Abramovay, afirmou que não há restrição a cenas com beijo gay em obras de dramaturgia na televisão, independente do horário de exibição.
Ao final da conversa, Toni Reis defendeu o beijo gay nas novelas como um exercício de tolerância. “É fundamental que a sociedade entenda que o afeto é normal.”
Matéria do site Dolado.
COMENTÁRIO: É importante que a TV Globo tenha se manifestado a respeito desse tema. Há muito tempo, esperam-se explicações para o corte de beijos gays da sua programação. Os argumentos usados pela diretoria da emissora, contudo, parecem longe de justificar a postura pré-histórica do maior canal do Brasil e um dos maiores do mundo. A verdade é que o beijo gay nunca foi tão esperado pelo público brasileiro. Recentemente, inclusive, um jornal britânico comentou a respeito. O título da matéria: 'Brasil inteiro espera ver beijo gay em novela' (a respeito da reportagem, clique aqui). O que me parece é que há um descompasso gigantesco entre o anseio dos telespectadores (gays ou não) e o entendimento mantido pela TV Globo. O fato é que há sim muitos que não querem por nada ver dois homens ou duas mulheres se beijando. Entretanto, há milhões de outros brasileiros que gostariam sim de ter a oportunidade de ver o afeto, a expressão do seu amor, na telinha. Outros milhões dariam tudo para ver pela primeira vez aquilo que só imaginam. Enquanto isso não acontece, precisam se contentar com o preconceito. Mostrar o beijo gay não é fazer propaganda dele, mas mostrar que ele existe e deve ser respeitado.  

Daniel Lélis 

Entenda a diferença entre GLBT, LGBT e GLS


Michel Platini, presidente do Estruturação - Grupo LGBT de Brasília, explica. "GLS foi criada pelo jornalista André Fischer, dono do site Mix Brasil, há mais de uma década, e tem mais a ver com atividades comerciais, como sites, boates, cafés etc, que atendem tanto não-heterossexuais quanto héteros sem preconceito. A questão muda quando se trata do movimento social. Por exemplo, lutamos pelos direitos LGBT, como no caso da adoção. Aí, seria errado colocar o "s" de simpatizante. Pois os simpatizantes, ou seja, os héteros já podem adotar. O mesmo caso é com a união civil. Esse direito é negado a LGBT, mas não aos simpatizantes. Assim, tudo bem uma boate ser GLS ou mesmo LGBT, mas não há como falarmos de um projeto de lei pró-GLS ou de cidadania GLS."
E então, exclui-se os simpatizantes? "Claro que não! Essa categoria, simpatizante, só existe praticamente no Brasil. Temos orgulho tanto disso quanto de ser o único movimento social que faz referência sempre a quem não o integra de forma mais estrita, mas que o apóia. Só é bom as pessoas saberem as situações às quais cada sigla se adequa melhor", frisa Platini.
O ato em comemoração ao 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT, em Brasília, é exemplo de um híbrido entre as duas posições. O nome oficial do evento tem a sigla LGBTS. "Somos uma das poucas paradas do Brasil que tem simpatizante na sigla oficial, talvez a única. Fizemos isso porque tem todo o sentido falar em orgulho simpatizante, orgulho de ser uma pessoa sem preconceito e que repele a homofobia. E como os simpatizantes são fundamentais! Na nossa parada, 27,5% dos participantes não são LGBTs (aqui minúsculo para indicar plural. Quando maiúsculo, indica simpatizante), diz Sônia Regina, coordenadora da parada da capital federal.

LGBT, GLBT ou LGBTTT?

LGBT é a ordem das letras aprovada na I Conferência Nacional LGBT, realizada em junho de 2008. Desde então, de forma oficial, o movimento brasileiro e o governo federal deixaram de usar o GLBT. Foi uma decisão recente, logo estará mais difundida", diz Platini. 
A troca fez com que o movimento arco-íris nacional se alinhasse, de forma atrasada, à sigla mais utilizada na Europa e na América do Norte. A letra l na frente é uma forma de dar destaque à luta das lésbicas, que sofrem com o machismo e a invisibilidade social. Quanto à letra t dobrada ou até triplicada, algumas entidades pelo Brasil as adotam, mas, como foi aprovado em 2008, na sigla oficial, um único t serve para representar tanto travestis, quanto transexuais e transgêneros.

Sopa de letrinhas

Você ficou meio confuso com tantas siglas, calma, não é tudo. Há variações pelo mundo à fora. Um exemplo vem da Colômbia, que é conhecida no movimento por usar mais comumente LGBTTQI. O que são as duas últimas letras? Q de queer, cujo significado é ser estranho, mas que é muito utilizado de forma negativa para xingar uma pessoa de gay nos países de língua inglesa. Como meio de atuação política, o movimento, alguns gays e parte de estudiosos do tema utilizam a expressão de forma a dar-lhe um sentido positivo. Quanto ao i, trata-se das/os intersex, de forma mais simples, os hermafroditas (que nascem com orgãos sexuais de homem e de mulher). 

Sobre tantas letras, Platini recorre à história para defendê-las. "No início da década de 80, se falava movimento gay ou homossexual. Isso era errado porque não reconhecia a luta, as identidades e as bandeiras de bissexuais, das pessoas trans e, no primeiro caso, de lésbicas. À medida que fomos amadurecendo, vieram as siglas. Elas são importantes. Muitos falam de sopa de letrinhas, que é confuso etc. Preferimos esclarecer o que pode figurar como chato a ceder a um simplismo que reforçaria algo contra o que lutamos: discriminação, invisibilidade."


Cuidado com a diversidade

Na procura por denominar a diversidade LGBT, surgem nomes bastante impróprios. Embora adotada até por alguns governantes em órgãos oficiais, parte do ativismo LGBT rejeita a expressão diversidade sexual, que trataria da diversidade de sexo, aí se referindo a homem ou mulher ou a práticas de coito. E não se trata disso. "Se for para utilizar a palavra diversidade, que ela seja usada de forma correta: diversidade de orientação sexual (homo, bi e heterossexual) e de identidade de gênero (pessoas trans). Algo fora disso não está correto.", afirma Platini.


Aprenda e dê uma aula sobre nossas siglas

GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) - mais aplicado ao mercado (bares, cafés, restaurantes etc) que tem como foco homossexuais, bissexuais e pessoas trans, mas que recebe sem nenhuma restrição heterossexuais que não possuem preconceito.
LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) - sigla mais adequada ao lado político do tema. Aplicado em expressões como cidadania LGBT, preconceito contra LGBT, parada LGBT etc. Adotada oficialmente no Brasil desde 2008.
GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais) - forma anterior a 2008 para se referir ao caráter político do movimento social arco-íris. Está caindo em desuso.

A matéria, toda ela, é do site Somos Todos Iguais


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

'Milk', cinebiografia sobre ativista gay, é uma das atrações da TV Record para 2011

Um dos destaques do pacote de filmes que fará parte da programação da TV Record em 2011 é Milk (2008), cinebiografia do ativista gay Harvey Milk, interpretado por Sean Penn. Milk foi o primeiro político homossexual assumido, militante da causa, a assumir um cargo público na Califórnia dos anos 1970. Sua trajetória inspira até hoje milhares de pessoas que se dedicam a fazer desse mundo um lugar melhor para se viver.

Trailler do longa:



Daniel Lélis


“Gay e muçulmano? Como assim?”


Essa é a pergunta mais ouvida por Adnan Ali, um paquistanês que mora no Rio e luta por uma difícil causa: a aceitação de homossexuais pelo islã.
Num colégio interno de Lahore, no Paquistão, o menino sunita Adnan Ali, então com 13 anos, mal podia esperar pelas orações do fim da tarde. Na mais importante prece do dia, estudantes das duas correntes do islã – sunitas e xiitas – se reuniam. Era a oportunidade que ele tinha de ver Jamal, um jovem xiita de 15 anos que estudava em outro pavilhão, destinado aos alunos mais velhos. Durante as preces, os dois cruzavam a linha que os separava para orar lado a lado – os sunitas, maioria, rezavam à frente da mesquita, e os xiitas ficavam na parte de trás. De vez em quando, enquanto faziam os movimentos em respeito a Alá, suas mãos se tocavam, em um ritual que se repetia todos os dias.

André Arruda
Disponível na Web
Jamal foi o primeiro namorado de Adnan Ali, hoje com 37 anos. Mas Adnan diz que sua homossexualidade aflorou quando ainda era criança. Mesmo sem entender direito, achava os homens dos filmes indianos de Bollywood mais interessantes que as mulheres. “Sabia que, de algum jeito, queria estar perto deles”, diz. Vivendo hoje no Rio de Janeiro com seu parceiro, um inglês da ONG Médicos Sem Fronteiras, Adnan é um dos principais ativistas no mundo de uma causa aparentemente impossível: a aceitação de homossexuais na comunidade islâmica.

O desafio de Adnan começou em casa. Quando era adolescente, seus pais abriram uma carta amorosa de um jovem endereçada a ele. Além de ter recebido uma surra, Adnan teve de prometer que jamais falaria com o remetente. Ele diz se lembrar de um vizinho arrastado por policiais para fora de casa depois de ser flagrado num ato sexual com outro homem. Adnan nunca mais o viu. “Geralmente não se sobrevive à punição”, afirma. No Paquistão, onde a lei islâmica tem forte influência sobre a legislação civil, a homossexualidade ainda pode ser punida com a pena capital.

A família de Adnan só tolerava sua condição porque era praticamente sustentada pelo dinheiro de seu trabalho, principalmente enquanto esteve empregado na área de reservas do hotel Marriott de Islamabad, capital paquistanesa. “Isso me dava um passe livre para fazer o que quisesse. De certa forma, comprei a aceitação de meus pais.” Em 1996, ele ganhou uma bolsa para estudar produção teatral na Inglaterra e foi embora. Três anos depois, já integrado à pequena comunidade de gays assumidos de origem muçulmana no Reino Unido, Adnan fundou a representação britânica da ONG americana Al-Fatiha, destinada a auxiliar essa minoria no mundo islâmico – Al-Fatiha, que significa “a abertura” em árabe, é o nome do primeiro capítulo do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. O trabalho de Adnan virou tema de um documentário da rede de TV britânica Channel 4, em 2006. A aparição no programa lhe rendeu umafatwa (sentença) de líderes religiosos islâmicos, condenando-o à morte – a mesma decisão aplicada nos anos 90 ao escritor indiano Salman Rushdie por sua obra Versos satânicos. Mas Adnan diz não temer a sentença: “Não significa absolutamente nada para mim. Continuo a viver minha vida normal e a mostrar meu rosto”.

Alcorão chama de “um povo de insensatos” os homens 
que se aproximam de outros homens

Adnan reconhece a dificuldade de sua luta. Afirma que nem mesmo a comunidade gay sabe lidar muito bem com seus integrantes do islã. “A reação costuma ser: ‘Gay e muçulmano, como assim?’.” Dentro do islamismo, aceitar gays seria o mesmo que reescrever o Alcorão, na visão das autoridades religiosas. “Tudo o que Deus criou foi em forma de casal. Homem, animais e até plantas. Nada do mesmo sexo produz frutos”, afirma o xeque xiita Ali Abou Raya, imame (sacerdote) da Mesquita Mohammad Mensageiro de Deus, em São Paulo. “É preciso deixar claro que o homossexualismo nunca será liberado na jurisprudência islâmica. A orientação é direta e clara.”

Abou Raya cita duas passagens do Alcorão para justificar sua posição. Ambas descrevem o que teria acontecido aos habitantes de Sodoma e Gomorra. Na sura (capítulo) 27, versículo 55, o livro sagrado faz referência a homens que se aproximam de outros homens e os chama de “um povo de insensatos”. O outro trecho é a sura 11, versículo 78, no qual o profeta Lot pede a seu povo, “que desde antanho havia cometido obscenidades”, que tema a Deus. Para Abou Raya, é um recado aos gays. “O profeta os adverte a não cometer essas relações”, diz. Militantes gays como Adnan argumentam que as passagens referem-se a atos de sodomia e de estupro praticados entre pessoas do mesmo sexo, e não a relações homossexuais consensuais, entre dois adultos.

Para a religião islâmica, a homossexualidade é vista como algo reversível, ou seja, um pecado do qual é possível se redimir. “Se um muçulmano homossexual acredita que sua condição seja natural, ele deixa de fazer parte do islamismo. Mas se ele reconhece que está passando por uma dificuldade, um problema psicológico, então passa a ser um pecador que deve receber ajuda de sua comunidade religiosa”, afirma o xeque sunita Jihad Hassan Hammadeh, presidente do Conselho de Ética da União Nacional das Entidades Islâmicas. Hammadeh afirma que o islamismo condena o preconceito, mas reconhece que nem sempre “algumas pessoas” dentro do mundo islâmico agem de forma tolerante. Basta recordar uma declaração do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao discursar em 2007 para alunos da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos. Respondendo à pergunta de um estudante sobre como gays eram tratados no Irã, disse: “Lá não há gays como em seu país; não temos esse fenômeno”.

No Rio de Janeiro, há pouco menos de um ano, Adnan ainda está conhecendo o universo GLS da cidade. Diz estar com vontade de ir a um bar gay na Gávea e conheceu alguns ativistas durante um seminário anti-homofobia. “Não vou muito à praia, embora goste de sentar na areia e ler um livro. Já fui ao Posto 9 (em Ipanema) muitas vezes, e é legal ver as bandeiras com o símbolo gay (arco-íris) tremulando”, afirma. Como no Brasil a comunidade muçulmana é pequena, ele dá apoio a gays brasileiros de qualquer credo, por meio de um círculo de amigos na internet. Assim conheceu um jovem baiano que, ao se descobrir gay, passou a pensar em suicídio. “Eu tenho conversado com ele para fazê-lo desistir da ideia. Gosto de pensar que continuo útil pela minha causa.” 

A matéria é da Revista Época. aUTORES: FERNANDO SCHELLER COM JULIANO MACHADO