sexta-feira, 20 de agosto de 2010

'Velho é o tempo' (por Daniel Lélis)

O tempo é um professor implacável. Quanto mais ele passa, mais dele viramos reféns. Não há como fugir da sua inclemência. Render-se a ele, antes de ser apenas uma alternativa, é uma necessidade que se impera. O tempo voa. Alguns, quando percebem isso, desesperam-se; parecem perdidos. Outros, gabam-se de manter-se equilibrados; juram de pés juntos que se conformaram. E ainda outros preferem se iludir; fazem de conta que os dias não passaram, mesmo que lhes falte o vigor de outras épocas.
Contudo, independente de como lidamos com o tempo, a nós, resta uma certeza absoluta e cruel: um dia, mais cedo ou mais tarde, o nosso tempo acaba. Talvez não exista nada que atormente mais as pessoas do que a convicção indiscutível de que elas, com o perdão da comparação, assim como os produtos comprados no supermercado, tem prazo de validade. A eternidade, um sonho que nasceu com os faraós, ainda seduz, mas parece não muito próxima. O jogo da vida, este a qual todos nós fomos escalados pelo destino para jogar, diferente daquele dos campos de futebol, não tem acréscimos. Portanto, cabe a nós, sabendo das limitações que nos são impostas pelo ciclo da vida, não perder a oportunidade de vivenciá-la plenamente. Mais sábio, portanto, que em vez de concentrarmos nossos esforços procurando o elixir da juventude, resgatemos ou reforcemos a jovialidade que habita o nosso íntimo; que nos encoraja a encarar os desafios e acreditar nos sonhos; que nos enche de confiança; que nos dá o fôlego de que precisamos para não desistir de viver; jovialidade esta que, tão ausente em muitos jovens, não precisa acabar com a chegada dos cabelos brancos. Velho é o tempo, já dizia a sabedoria popular.
Mas como viver de modo pleno, de maneira que o passar dos dias seja menos doloroso e o presente mais prazeroso? Como fazer do tempo um aliado? As respostas podem variar infinitamente. Mas há muito em comum entre elas. Cuidar da saúde, mental e física, por exemplo, é fundamental. A prática de atividades físicas, nem preciso dizer, é recomendadíssima. Ler, então, é um hábito da qual não se pode deixar de lado. Ora, e não reclame da vista cansada. É para isso que servem os óculos. Amar é também outro ingrediente que não pode faltar nessa receita. E não falo de amor carnal, apenas. Me reporto ao amor em geral. É preciso amar. O amor nos faz mais jovens. É melhor que qualquer creme para rugas. É mais eficaz que qualquer plástica. Por isso, ame, meu (minha) querido (a) leitor (a). Se permita amar sempre. Ame o ontem pelas lições e emoções que ele te ofereceu; aposte no hoje, pois é preciso arriscar; e tenha sempre forças para construir o melhor amanhã de todos. Ame aventurar-se pelo desconhecido, mas nunca tire o pé do chão.  Ame quem te ama, mas tente amar a todos. Ame a sua profissão, mas não feche os olhos para as outras. Ame o diferente porque você também o é. Ame a liberdade, mas afaste-se dos excessos que adoecem. Ame o seu país, mas não seja cego. Ame a beleza das descobertas, mas não queira se entregar a todas elas. E ame acima de tudo a sua vida. Assim, quando a senhora velhice quiser desanimá-lo, olhe a firme e com autoridade, diga: o amor nunca envelhece. Quem ama, vivo está!




Daniel Lélis

Artigo publicado originalmente na Jfashion, a revista de sociedade mais badalada de Tocantins.